Encontra-se selecionada alguma Bibliografia e Experiências de Referência que permitirão aos utilizadores e utilizadoras da plataforma contar com uma proposta de conceptualização em torno das noções de Cultura (Património Cultural), Criatividade e Identidade (Territorial).
A AGECTA e a KAIRÓS entendem que em face dos acentuados processos de globalização (da economia, da tecnologia, dos costumes, da vida social, etc.), que transportam efeitos de hegemonia cultural e civilizacional de cariz ocidental, poderá justificar-se o lançamento de ações que contribuam para a defesa, reforço e valorização das diversas dimensões paisagísticas, arquitetónicas, artísticas, arqueológicas e etnográficas do património dos diferentes territórios, o que facilitará a preservação da sua específica identidade e, por conseguinte, da sua concreta e singular presença num mundo cada vez mais global: “onde o local é global e o global é local – tudo está em tudo”.
Mas a globalização, sendo uma ameaça para a existência de múltiplas unicidades territoriais num contexto civilizacional progressivamente hegemónico, e em particular para territórios urbanos e/ou rurais mais vulneráveis, pode igualmente ser vista como uma oportunidade, convidando os territórios a desenvolver respostas estratégicas através de iniciativas locais que estimulem os processos de ‘desenvolvimento local’. Os territórios são convidados a criativamente valorizarem as suas potencialidades quer para diversificar condições de construção de ‘vantagens competitivas’ quer de articulação e cooperação translocal.
A AGECTA e a KAIRÓS reconhecem que o “território” se estabelece muito para além de uma mera configuração administrativa já que pressupõe também a existência de uma identidade (uma realidade contextual e em constante transformação) que se interliga com a noção de ‘pertença territorial’, eventualmente facilitadora de formas de mobilização coletiva na defesa de interesses comuns de base territorial. No fundo, um território representa uma trama de relações com raízes históricas, configurações políticas, ‘determinações de pertença’ e identidades, sendo construído de forma subjetiva, uma vez que é produto do reconhecimento, pelos atores (endógenos e exógenos), que se constrói, em grande parte, a partir da relação baseada nas representações coletivas que as comunidades (e os indivíduos) estabelecem com o espaço, ‘espaço de pertença’ e ‘espaço de referência’ (duas das modalidades através das quais uma comunidade constrói o seu território).
A AGECTA e a KAIRÓS, sendo entidades parceiras dos agentes de base territorial que se apresentam protagonistas na vontade da objetivação das soluções de mudança necessárias aos contextos onde os problemas socioeconómicos das respetivas pessoas e comunidades se exprimem, entendem que a cultura (reconhecida em todo o seu lastro patrimonial material e imaterial e na sua relação com os respetivos contextos de referência interpretativa) e a criatividade (no sentido da continuação reinventada dos saberes-fazer-estar local baseado numa lógica de interligação global) têm de ser assumidas como alicerces estratégicos dos esforços de desenvolvimento do ‘bem-viver’ social e económico das pessoas (que enquadradores da consciência da sua própria personalidade individual e do sentimento de pertença e de referência a um tempo e espaço coletivo de vivência partilhada), pelo que nas suas iniciativas de animação e desenvolvimento local as constituem como instrumentos imprescindíveis da sustentabilidade da diversidade territorial que importa num contexto de globalização viabilizar e fazer consolidar enquanto património civilizacional coletivo.